A branquinha do Brasil

Organizadas em ordem alfabética, as cachaças de Messias Soares Cavalcante formam uma espécie de museu

Alfenas, Minas Gerais. É lá a morada das 15.446 garrafas, adquiridas em 1.772 cidades, de 20 países e de 7.214 fabricantes que pertencem ao maior colecionador de cachaças do mundo. Coletadas desde 1988, é possível encontrar o Superman, o presidente Lula, o técnico de futebol Parreira, o compositor e cantor Adoniran Barbosa, o Pelé, a ginasta Daiane dos Santos, entre muitas outras personalidades nos rótulos.

Ele possui mais exemplares da Pirassununga 51 que o próprio fabricante, a Companhia Müller de Bebidas, que já até enviou um representante da empresa à casa de Cavalcante para realização de imagens.

Messias Soares Cavalcante é o maior colecionador de cachaça do mundo (Foto: tarcilaz)

O processo para homologação dos recordes junto ao Guinness World Records™ e ao RankBrasil foi semelhante ao de Luiza Helena van-Erven de Figueiredo. “Houve a necessidade de catalogação do acervo e a comprovação de que eu tinha iniciado a coleção, e não herdado ou comprado, por meio de procurações assinadas por testemunhas”, afirmou Cavalcante. O recorde consta na edição de 2011 do livro.

Apesar de todo o cuidado com as garrafas, as quais são embaladas em sacos plásticos e sempre permanecem fechadas, pois não são para o consumo, já houve perda. “Uma vez, num sábado à noite, um morcego entrou na cachaçaria e quebrou uma garrafa que é até difícil de ser encontrada”, comentou o colecionador.

Parte do acervo composto por quase 15.000 garrafas (Foto: tarcilaz)

De acordo com Cavalcante, há um processo no Brasil que sugere a certificação de origem da cachaça. “Existem o rum, o uísque e ochampanhe. Você não pode fazer um tipo de vinho e o nomear de champanhe, pois é da França, da região de Champanhe. E assim ocorre com várias outras bebidas. E há a intenção de certificar a cachaça, pois quando os outros países a importam ela segue como rum brasileiro. Mas no fim, cachaça é rum. A verdade é essa.”, destacou.

A garrafa mais difícil para ser obtida foi a da cachaça Sagatiba Preciosa que foi arrematada em um leilão da Christie’s, que ocorreu em Amsterdam. “Essa Sagatiba é de fato preciosa, pois antigamente se acreditava que a cachaça ficaria melhor após ser enterrada em recipientes de cerâmica ou madeira, e foram descobertos 20 mil litros, que após um processo de filtragem foi possível obter 10 mil litros. E desse lote foram leiloados entre seis e oito litros, e eu arrematei uma unidade que demorou um ano para chegar devido a burocracia. Uma garrafa dessas é cara, e o preço médio é de 600 reais em São Paulo”, afirmou.

Mini-garrafas com rótulos de personalidades brasileiras: o presidente Lula quando derrotou Geraldo Alckmin nas eleições, o técnico de futebol Parreira, o compositor e cantor Adoniran Barbosa, o Pelé e a ginasta Daiane dos Santos (Foto: tarcilaz)

Além da coleção, Cavalcante lançou dois livros pela Sá Editora, em 2011, – o primeiro aborda a história da bebida: A Verdadeira História da Cachaça e o segundo: Todos os Nomes da Cachaça.
De acordo com o colecionador, o livro narra o começo e a evolução da bebida ao longo da história do Brasil até o século 19 e começo do século 20. Há algumas controvérsias. Muitos afirmam que a cachaça começou a ser fabricada assim que houve as primeiras instalações de engenhos de açúcar no Brasil. Mas, na verdade, não se pode afirmar isso, pois não existe nenhum documento que ateste que no século 16, ou seja, de 1500 até 1599 já se fabricava cachaça no Brasil. Já para o século 17 existem registros de pessoas que vinham da Europa, e mencionavam que tinham visto engenhos onde se fabricava a cachaça.

O colecionador possui mais garrafas da Pirassununga 51 que o próprio fabricante, a Companhia Müller de Bebidas (Foto: tarcilaz)

Cavalcante também destaca histórias tristes desse universo como o caso da ex-cachaça Havana, “a melhor pinga do Brasil”, de acordo com o colecionador. A marca teve seu nome alterado para Cachaça Anísio Santiago, nome do fabricante, devido a um processo judicial movido pelo Havana Clube, de Cuba, que produz o rum Havana Clube e registrou o nome.

Entre as inúmeras garrafas é possível se divertir com frases que focam o universo da cachaça (Foto: tarcilaz)

Leia mais sobre a cachaça brasileira
e a coleção de Messias Soares Cavalcante:

Revista Rural
Guinness World Records™
RankBrasil
Coleção de Cachaças do Messias

*Matéria atualizada em 28/11/2012.

Comentários
  1. Alair Renovato G. dos Reis
  2. rivaldo ferreira da silva
  3. Koleções
  4. gileno
  5. PROPANAC
  6. Eni Barbosa
  7. SEMI QUEIROZ
  8. Koleções
  9. Jefferson

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